quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Andarilho




Andei por estradas desconhecidas
Descalço e perdido, como todos que vi
Andei por pradarias seguras
Armado e ferido, como muitos dali

Não pude sentir o calor da própria cama
Pois quem caminha, eterno é o caminhar
Não pude nem sequer me aquecer da chama
Que ausentava quando pus-me a lamentar

A Morte é lenta aos que a esperam
Mas não tarda aos que se aventuram... continuarei a caminhar...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hipocrisia





Estou cansada dessa maldita hipocrisia
Gente que fazendo o que sua boca condena
Cansada de ver toda essa gente sofrendo
Somente pela deliberada vontade de sofrer

Sim, estou cansada de ver riquinho
Fingindo ser do subúrbio, da periferia
Sem ao menos ter sofrido na pele medo
Aquele que te mata, te esfola, te aflinge

Vida mansa lhes é dada desde o berço
Mas isso seus olhos não querem ver
Viver dor alheia parece ser interessante
Quando se tem tudo para sorrir sem lagrima a derramar

Queria ver seus olhos quando o dinheiro não é suficiente
Quando o carinho e a atenção são inexistentes
Quando suas escolhas não possuem nenhuma opção
Quando a dor cresce a ponto de virar um ódio

Estou cansada dessa gente ver dor nas músicas
E acreditar que sofre igual
Sem ao menos sentir a verdadeira dor
De não possuir letras, não possuir vida e não possuir nada.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Succubus




Porque resistes ao meu toque?
Prometo que se assim quiser
Só ficarei mais esta noite e nada mais

Porque me encaras tão afoito?
Minhas unhas não o cortarão
Só meus lábios permitirei marcar-te

Ah! Não se preocupe com a aurora
Não se preocupe com o que te aprisiona
Feche teus olhos e te entregue

Acordei para vc, acordei com desejo de ti
Sua cama me chama, sua mão me arrepia
Entrega-te esta noite e prometo que jamais esquecerá

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



Acordei como se acorda dos pesadelos
Sem esperança, sem rumo, sem força
Minha mente girava, meu corpo ainda tremia
Eu ainda temia, confundido os dois mundos

Acordei sem saber o que fazer
Com medo de dobrar a esquina e morrer
Com medo de almejar algo e não realizar
Com medo de ter medo temendo tudo que não devia

Acordei, mas como se num passe de mágica
Pude ver a janela aberta, uma falha
E eis que o céu era azul e o sol estava ameno
Foi então que eu sorri...


Diga uma poesia pra mim
Não estas de riminha
Não estas bem fodinhas
Cite seu coração, se embale...

Conte sobre um mundo perfeito
Sem dor, sem mágoa ou morte
Conte-me sobre amigos perfeitos
Sem brigas, sem traição ou dor

Declame com as narinas abertas
Seja convincente desta vez
E me abrace depois dela
Pois eu só quero é sonhar!